19 junho, 2012

As 5 Coisas que as Bichas Cobardes dizem para conseguirem dormir menos mal à noite.

Olá Nação Cobarde!

Estamos em Junho, mês do orgulho Lisboeta. Perguntamo-vos já: sabem que coisa fantástica é essa que nos espera este mês?

Não, não estamos a falar das marchas nem do Arraial. Já lá chegaremos, que sabemos que a malta fica logo toda entusiasmada ao ver esta versão (muito melhor) do cartaz da marcha que os nossos amigos do dezanove refizeram.

Estamos, sim, a falar dos muitos discursos que vamos ouvir nas próximas semanas das Bichas Cobardes contra o activismo, contra o orgulho e contra as marchas LGBTQ. Exactamente.

Malta, estamos portanto preparados para esse mar de frustração super enervante e desafiante que nos vai inundar a nossa bonita comunidade? Estamos, claro que sim!

Junho é mês do orgulho, como dizíamos lá em cima, mas em Portugal celebra-se, ainda mais do que isso, a Cobardia Lusitana. É vê-los a revirarem os olhos nas conversas sobre o activismo, irritados. E por isso, aqui no Bichas, "fomos à rua" recolher os mais usuais e fluentíssimos argumentos que as bichas anti-orgulho usam quando se acham "a coisa mais inteligente que há"!

Vejamos, de sobrancelha franzida e de punho cerrado, as 5 Coisas que as Bichas Cobardes dizem para conseguirem dormir menos mal à noite [ou, os argumentos mal cheirosos contra o activismo bonito do mês do orgulho]

Nestas conversas altamente estimulantes, as nossas amigas bichas começam sempre com o argumento fácil:

1 - "Orgulho? Mas eu tenho de ter orgulho de alguma coisa? Os heteros têm orgulho em serem heteros?"

Oh minhas cabecinhas confusas, então mas o orgulho por sobreviver numa minoria oprimida e sem direitos é a mesma coisa que ter orgulho por fazer parte de um grupo maioritário e privilegiado? Onde é que os heteros passam por dificuldades acrescidas pelo facto de serem heteros? Ai então o orgulho da "raça branca" e o orgulho em se ser negro são a mesma coisa? Claro que não - respondo eu cheio de paternalismo.

Quando a palavra "orgulho" é por nós usada (e, já agora, por qualquer outra minoria), é no sentido de se opôr à palavra vergonha - que é o que a sociedade nos impinge por não sermos "normais" e por sermos os "vergonhosos paneleiros e fufas e os que nem são carne nem peixe". 

Se eu tenho orgulho naquilo que sou - independentemente da educação para o auto-ódio que recebi - isso não é uma coisa cheia de valor para celebrar?

Como é que isso é a mesma coisa que ter orgulho por ser hetero? Onde é que ser hetero é sinal de opressão? Tenham paciência.

A marcha e o arraial têm um cariz de celebração e (especialmente o arraial) de festa; por existirmos, perdurarmos e sobrevivermos na mesma com esperança e entusiasmo face à adversidade. Agora se se recusam a aceitar que isso e o orgulho estão ligados ou que são coisas más, então, olhem.. chapéu. 

Parece que estas cambadas cobardes morrem de medo de certas palavras como "orgulho". Parece que nunca ultrapassaram a vergonha que tinham em pequeninos por serem LGBTQ e agora, embora sejam já "pessoas crescidas", continuam sem saber lidar com essa vergonha interior de tal forma que rejeitam sub-conscientemente (mas sobretudo conscientemente) o lado bom de se ter orgulho em se ser uma pessoa feliz e realizada.

"Ai-que-horror," - dizem eles - "orgulho, tsss. Deus me livre. Porque eu, com a minha educação tradicional cristã só aprendi a ter vergonha de mim e do meu corpo e a querer ser um infeliz a minha vida inteira. Isso é que tem valor!" Imito eu no meu melhor sarcasmo.

Mas passado este argumento, as bichas más atacam com a segunda arma:

2 - "As Marchas e os Arraiais são só para gente que se quer mostrar e fazer alarido; e eu não sou uma bicha maluca exibicionista."

E lá vamos nós, novamente. Amiga Bicha, a marcha e o arraial são para muitas coisas para muitas pessoas diferentes, e uma delas também é a visibilidade. Mas não têm a classe de um show do Finalmente, infelizmente.

E eu sei que tu tens esses medos todos do glitter e e do drag (como se explorar novas formas de expressão e identidade fossem alguma coisa terrível) e tens as imagens da comunicação social todas trocadas, mas a coisa é muito simples. A Marcha é uma espécie de manifestação (embora muito mais divertida) com música, com cartazes e com exigências político/sociais. Só isso. 

E sabes como é que eu posso ter a certeza disto, bicha amiga?

Porque eu vou lá todos os anos e, ao contrário de ti, que tens a imensa certeza que aquilo é um completo Carnaval de gente despida (embora nunca lá tenhas posto os pés e toda a tua informação seja parcialmente alimentada pelos monstros que tens na cabeça); eu, ao contrário de ti, tenho conhecimento de causa.
E só para te mandar uns "dados todos pseudo científicos" à cabeça, digo-te até que na marcha do ano passado havia apenas 4 travestis (que eu contei porque já sei que esta malta anda muito mal informada). Quatro, no meio de centenas e centenas de pessoas, um número que, para que conste, é um insulto para uma cidade grande como a nossa Lisboa - devia ser ainda maior porque a diversidade é uma coisa linda.

Mas eu já sei o que tu vais dizer, bicha triste: "Ah mas a comunicação social não-sei-quê-e-não-sei-quê." E eu calo-te logo aí porque a nossa comunicação social só mostra o que vende, e até haver pessoas que exijam que os jornalistas mostrem as coisas como elas são (do género, nós) as coisas não mudam.

Cabe-nos a nós termos o papel de estarmos lá, de nos representarmos a nós próprios e de criticarmos os media se não souberem fazer o seu papel correctamente

Ultrapassado este argumento, chegamos então (sempre) à argumentação desesperada das bichas perdidas:

3 - "As Marchas e o activismo LGBTQ português não servem para nada."

E nem seria preciso referir (ou se calhar é) que deve ter sido então por magia que Portugal se tornou no 6º país do mundo a permitir casamentos entre pessoas do mesmo sexo e que tem, entre outras coisas, a orientação sexual incluída na constituição como salvaguarda do artigo 13º.

Sim, isto não teve nada a ver com as marchas e as reivindicações associativas LGBT portuguesas, pois não? O activismo em Portugal, seja por parte de que organizações espalhadas pelo país forem, aparentemente é uma palhaçada apenas para as bichas criarem oportunidades para abanarem a perna pela avenida abaixo... (E a marcha já nem desce a Avenida, mas essa é apenas outra coisas que eles também não sabem..)


Mas mesmo que as nossas amigas bichas mudem de argumento e não sejam contra todo o activismo LGBT - porque aparentemente isso (com o parágrafo anterior) parece agora estúpido demais - e se apenas usarem o argumento do "ah, mas a marcha é diferente do resto porque é estúpida e é só para os caramelos exibicionistas se mostrarem", o que é que nós dizemos?

Vejamos, a Marcha na sua génese é sobre visibilidade. Sobre nós - que a sociedade silencia e de quem não fala a não ser quando nos chama de paneleiros, ou quando se refere às fantasias pornográficas lésbicas, ou quando se ri e se questiona sobre a vida sexual do Castelo Branco ou do Cláudio Ramos. Nós - que não existimos na televisão, nem na vida política, nem na vida pública; que não temos modelos públicos que defendam os nossos direitos fora pessoas individuais activistas meio invisíveis (ou a Lady Gaga). Nós - que somos perfeitamente invisíveis porque nos escondemos, sim; mas porque nos escondem a nós primeiro e nos ignoram. Nós - que para lutar contra tudo isto a primeira coisa que temos de fazer é, simplesmente, existir. Existir, passeando na rua, dando uma cara a um grupo invisível e deixando as pessoas saberem que "aquilo" existe e que não é uma coisa estranha da noite e do macabro. 

Já diziam duas pessoas muito mais inteligentes do que eu:

"Não podes exigir os teus direitos, civis ou outros, se não estiveres disponível para dizer aquilo que és." - Merle Miller 
"A coisa mais importante que podes fazer politicamente pelos direitos LGBT é sair do armário. Não é escrever uma carta aos teus políticos, é antes sair do armário." - Barney Frank

Porque mesmo que a marcha não sirva para mais nada, a marcha serve para isto: para reforçar que somos uma causa que merece ser falada, porque somos pessoas reais em números que se vêm, por exemplo, na marcha do dia 23 de Junho.

4 - "Mas a Marcha é uma confusão de reivindicações misturadas e é uma treta ineficaz."

Ao que eu respondo: "Ao contrário de todas as outras manifestações, não é?"

No outro dia até ouvi que "se ao menos na marcha escolhêssemos "um assunto apenas" e nos focássemos apenas nele, que talvez aí servíssemos e conseguíssemos fazer alguma coisa". (!)

Claro, porque com a quantidade de organizações diferentes ali representadas, desde organizações feministas radicais, a organizações anti-racismo, a outras viradas para educação ou antes focadas nos direitos das pessoas trans; é super plausível ficarmos todos - qual massa amálgama anti-diversidade - a defender apenas uma coisa e a ignorar tudo o resto quando há tanto para fazer, não é? Isso é apenas o argumento das pessoas que pensam que a única coisa que é precisa é a adopção e ignoram o resto e todas as implicações disso.

É que nem faz sequer sentido pensar na marcha como um mecanismo de política directa. A marcha não é o parlamento; a marcha é um grupo de pessoas unidas cuja única coisa em comum é fazerem parte de uma minoria oprimida que quer dizer a este país que existe e que as coisas têm de melhorar. Claro que cada uma terá a sua forma, sugestão e ponto de vista. Ou então, sou eu que me estou a esquecer do nosso velho amigo "lobby gay"...

Mas pronto, lá avançamos na argumentação até que chegamos, finalmente, ao verdadeiro argumento que as Bichas Cobardes, de tão tontas que são, até se envergonham de dizer em frente dos activistas demasiadas vezes:

5 - "Mas as coisas até estão bem, para que é que é preciso estas marchas?"

E pronto. Chegamos ao núcleo do problema.

É aqui, amig@s, que eu quase fico sem vontade de lutar (e em vez disso com vontade de bater nestas pessoas). Quer dizer, mais do que raiva, é pena; uma espécie de pena-raivosa por perceber que estas pessoas estão já tão, tão, tão fundo dentro do seu armáriozinho que já nem conseguem ver a luz cá fora. O que é tão triste.

E lá sou eu mais uma vez forçado a referir o número de casos de violência e a agressão que as pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgénero enfrentam nas suas vidas diárias e que estas bichanitas cobardolas, que também são LGBT mas que aparentemente vivem num lugar mágico e sem discriminação nenhuma (embora de alguma forma tenham um incentivo estranho para não contarem a ninguém da sua orientação sexual), escolhem esquecer. Em vez disso, acham-se apenas heteros iguais aos outros mas com quecas anónimas estupendamente secretas com pessoas do mesmo sexo. Os paneleirotes.


Alguns até me dizem que, como não querem adoptar, não têm nada a ver com isso (!), ou que, como não vão casar, não devem nada a ninguém. Fabuloso, não é?

Como se pudéssemos simplesmente ignorar que isto é uma questão de dignidade humana, de direitos civis de saúde, de segurança e educação e muitas vezes mais ainda, de direitos das famílias e das crianças que já existem e que estão completamente desprotegidas.

Estas bicharocas parecem gostar de imaginar que os direitos LGBT podem resumir-se apenas a um desejo momentâneo de se querer ir ali trocar alianças às ilhas gregas ou de se arranjar um puto asiático para fazer uma sessão fotográfica para as revistas cor-de-rosa; ignorando todos aqueles para quem isto são assuntos fundamentais para a sua segurança, felicidade, família, realização pessoal e que vêm estas questões como degraus para a sua protecção e sobrevivência mas, ainda mais, como degraus para uma sociedade verdadeiramente justa e igualitária.

Será que é assim tão difícil entender isto? É que mesmo que não quiséssemos estes direitos do casamento e da adopção (que são só a ponta do icebergue, já que nos adoramos esquecer de tudo o que tem a ver com educação, identidade trans, políticas de instituições de saúde, etc etc), como é que esperamos sobreviver num mundo em que cada um só luta por aquilo que quer naquele momento específico?

Se calhar vale a pena relembrar o grande Martin Niemöller quando dizia:

"Primeiro vieram atrás dos Socialistas, e eu não fiz nada--Porque eu não era Socialista.Depois vieram atrás dos Sindicalistas, e eu não fiz nada--Porque eu não era Sindicalista.Depois vieram atrás dos Judeus, e eu não fiz nada--Porque eu não era Judeu. E depois vieram atrás de mim-- mas já não restava ninguém para me defender."

E se o problema é acharem que a discriminação, de facto, não existe no nosso país (absurdo, mas... estamos a falar de pessoas absurdas), será pedir muito a estas pessoas para darem simplesmente a mão a uma pessoa do mesmo sexo e irem por aí dar um passeiozinho pela cidade onde cresceram ou pelo sítio onde trabalham, como faz qualquer outro casal heterossexual? Ou que durante um dia se apresentassem com um pronome diferente e sobrevivessem à reação da maioria das pessoas.

Ou antes, porque não?, ponderem um bocadinho sobre o porquê  de existirem em Portugal sites como o Identificar e Combater os Crimes de Ódio contra as Pessoas LGBT da ILGA Portugal ou antes, leiam alguns relatórios do observatório de Educação LGBT da rede ex aequo que relata o que se passa com a juventude LGBT deste país.

Enfim. No fundo isto é tanto uma questão de ilusão como de ignorância. Mas concluamos, que este assunto já cansa e ninguém de facto lê isto até ao fim.

Esta conversa (que é a mesma do costume), continua a ir no sentido da teoria habitual da homofobia radicalmente internalizada, onde estas pessoas menosprezam e desacreditam continuamente, e sem pudor nenhum, todos aqueles que lutam pelos direitos LGBT, e, no entanto, de uma forma estranhamente contraditória e superficial, vivem na ilusão de que são pela justiça e pela igualdade.

No outro dia, aliás, encontrei uma frase que resume bem isto tudo:

"É possível às pessoas serem inconscientemente instrumentos de valores que rejeitariam veementemente de forma consciente" - Joan Didion

A essas pessoas, cara Joan Didion, baptizá-mo-las nós de Bichas Cobardes.

Pronto. Acaba aqui a "lição". Obrigado por terem lido  tudo até ao fim e por se terem portado bem. Agora, façam o que eu vos ensino todos os dias e vão caçar estas bichinhas cobardolas e envergonhá-las até elas saírem do armário.

Vê-mo-nos na Marcha (sábado dia 23, às 17h no Príncipe Real) e no Arraial (no sábado seguinte, dia 30 no Terreiro do Paço). Porque, mais do que importante, isto vai ser espectacular. Nós somos, afinal de contas, As Bichas Corajosas.

Aliás! Estava, inclusivé, a pensar se não deveria fazer uma secçãozinha cobardolas na Marcha e arranjar umas tshirts ou cartazes alusivos à nossa luta ó-tão-peculiar. Talvez. Que acham? Alguém se junta?

BICHAS NÃO-COBARDES UNIDAS! 
(Ou qualquer coisa do género)

Boa vida! Bom Junho! Bom orgulho!

33 comentários:

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  2. Obrigado, "John". (:

    Paula, aceito a crítica e também agradeço o feedback. (:

    A questão de o focus ser tanto com Lisboa é porque eu sinceramente não conheço as outras realidades assim tão bem (embora me pareça que não vá ser assim tão surpreendentemente difernte), e porque em Junho as marchas de Portugal são só mesmo em Lisboa. Em Coimbra foi em Maio e no Porto vai ser em Julho (embora ok, não seja assim tão diferente) - e mais uma vez, como nunca estive nessas marchas, não sei com certeza que tudo se aplica na mesma.

    Quanto às outras organizações, de facto deveria esforçar-me por referi-las mais. A verdade é que a informação delas também vai chegando menos a mim. Mas prometo tentar saber mais.

    Obrigado.

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  3. Só hoje descobri este blog. Parabéns, gostei muito :-) miguel vale de almeida

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. eu acho que tu és um gajo cheio de pinta!

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    1. Todos temos dias bons, não é? (: **

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  5. Sinceramente, venho de uma provincia pequena, Montemor-o-Velho, e nunca tive que me declarar como gay a ninguem sem ser os meus pais. Todos sabem que o sou, nunca tive problemas. Nunca tive que ir a manifestacoes para mostrar o que sou e sou aceite por isso. Os meus colegas de escola continuam a ser meus amigos e nunca me trataram diferente por isso. Ate mesmo as pessoas da terrinha que nao conheco bem sabem quem sou e concerteza que ja coscuvilharam bastante acerca do assunto. Contudo, sou o que sou e nao vou mudar por isso. E tambem nao vou para nenhuma marcha mostrar o quanto orgulho tenho.

    Sou da opiniao que sim, e um assunto que ainda nao esta resolvido, este da homofobia. Mas talvez o melhor remedio e simplesmente viverem a vossa vida e aceitarem-se e as pessoas a vossa volta comecam lentamente a aceitar-vos porque veem que sao pessoas normais, nao porque levam com cartazes na cara a dizer que sao normais.

    Tenho dito e ponto final.

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    1. As pessoas não vão a manifestações porque têm que ir, vão porque querem apoiar e defender uma causa. Mas se os TEUS pais não te deserdaram por seres gay, as pessoas da TUA terrinha sabem que o és e os TEUS amigos da TUA escolinha da TUA terrinha continuam a ser teus amigos e nunca TE trataram de forma diferente, então está tudo bem com o mundo, bichanita.

      Mas hey, pelo menos já podes dizer que existe um blog em tua honra! :)

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    2. Desculpa mas nao me chames de bichanita. Nao e o que sou e sinceramente a falta de civismo e falsa pretencao de superioridade de quem escreveu este blog so me faz pensar ir ainda menos a tais prides.

      Nao defendo uma segregacao entre sexualidades - basicamente o resultado de existirem companhias, discos, agencias de teor 'gay' - mas sim uma uniao. E nao considero que as prides o consigam.

      E nao confundas a minha opiniao acerca das prides com nao defender uma causa. Sao coisas completamente diferentes e erradas.

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    3. Oh really? E como esperas conseguir essa "união"? Por obra e graça do espírito santo? Ou estás só à espera que os outros a consigam por ti?

      Sabes quando é que vai haver uma união? Quando as pessoas forem todas tratadas com igualdade e tiverem os mesmos direitos. E sabes como é que isso se alcança? A barafustar,fazer manifestações e essas coisas todas exuberantes que aparentemente não aprovas. Certamente não será a "simplesmente viveres a tua vida" e a ignorares o resto do mundo que vais ajudar a conseguir isso.

      E acho que dizeres que a pride defende a segregação de sexos é um bocado idiota não é? Creio que tem mais a ver com conseguir direitos para as pessoas LGBT que não existem até agora e que a maioria das pessoas tem. Mas what do I know.

      Ah e btw, a pessoa que escreve este blog tem mais civismo numa unha do pé do que tu no teu corpo de bichanita inteiro. Pelo menos intervém e faz alguma coisa, ao invés de simplesmente viver a sua vidinha imune ao que se passa à sua volta, qual avestruz com a cabeça enfiada na areia. Isso é mais uma atitude de bichanita.

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    4. Querido/a

      Com esse palavreado, a comunidade gay e a luta que todos os activistas dos direitos gay conseguiram e conseguem, acaba de andar pelo menos um seculo para tras.

      Aprende a ler, a escrever, a falar Portugues e a respeitar os outros e vais ver pelo menos duas coisas:

      - Ha uma diferenca entre activismo puro e idiologias preconceituosas.

      - Eu nao sou a avestruz nesta conversa.

      Agora com licenca que vou dormir pois amanha tenho uma reuniao com parceiros que sao gays e heteros. Ou humanos - outro nome utilizado para catalogar pessoas.

      x

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    5. Querida Bichanita,

      A palavra "idiologia" não existe. Existe, sim, a palavra "ideologia". Mas se calhar, eu estou errada, já que aparentemente não sei "escrever e falar" Português.

      E sabes o que faz retroceder os direitos LGBT um século para trás? Sabes, bichanita? Não reconhecer a importância de eventos como as prides na obtenção do que já se conseguiu até agora.

      Espero que tenhas dormido uma noite descansada e que tenhas tido uma boa reunião com as tuas pessoas.

      Have a nice day! Ups, desculpa. Tem um bom dia! :)

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  6. A bicha não cobarde que escreveu este belíssimo tratado não assina e/ou mostra a cara por alguma razão em particular?

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    1. Acho que se quiseres mesmo saber quem eu sou, encontras formas de o saber. Este blog não é sobre uma pessoa, é sobre uma ideologia, e isso é potencialmente irrelevante. A ideia é criar um movimento, não um culto.
      Ou então juntas-te à malta, vens à marcha e resolves o problema. Gosto de pensar que questão só afecta mesmo as pessoas de quem o blog se queixa.

      Nisto, informação chega sempre a quem a merece.

      Mas podes tentar convencer-me do contrário.

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    3. A internet já está saturada o suficiente de bichas cobardes para permitirmos que elas venham para aqui fazer o mesmo que fazem nos restantes lugares; sendo este um dos poucos sítios onde elas são criticadas.

      Se não concordas com o que fazemos, Tiago, tens bom remédio, crias o teu próprio blog.
      O comentário foi apagado e os restantes também o serão se o seu propósito continuar a ser destrutivo e insultuoso.

      E se isto honestamente te incomoda assim tanto, sugiro que uses dois segundo do teu tempo para pensar porque é que mesmo assim cá vens e se não é porque o perfil, de alguma forma, se te ajusta.

      Para finalizar, aqui no blog gostamos muito de lógica e de argumentação, mas somos antes de mais pela libertação, verdade e anti-opressão; e por isso estamos relativamente pouco preocupado com facto de ferirmos ou não susceptibilidades quando apagamos insultos disfarçados de comentários.

      Tem uma boa noite.

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  7. É pá! Só agora é que percebi que eras o autor! Muito bom! Parabéns! Abraço e boa marcha!

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    1. Ah! (:

      Obrigado pelo incentivo. Abraço *

      Referimos-te no Facebook, não sei se reparaste.(https://www.facebook.com/bichascobardes/posts/316232155136331)

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    2. Reparei sim! Many thanks! Demorei um pouco mais porque tive a feliz ou infeliz ideia de postar essa mini provocação e o link para este post no meu FB... pelo que fui inundado de comentários e emails! (Quase) nenhum de malta cobarde! Há dias de sorte. Nunca me hei de esquecer de um amigo gay, em noite de festa do lux, comentar no FB "lá vou eu para a festa da bicharada"... Um dia destes bato em quem disser que há um lobby gay ou que "eu não sou discriminado"! =) Entretanto têm lá mais gifs para animar. Abs

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    3. Ideia muitíssimo feliz, não tenhas dúvida. (:

      Esses amigos o que mereciam era uma semaninha de férias no Uganda ou na Arábia Saudita. Aprendiam logo a usar as palavras melhor.

      Enfim, vê-mo-nos na marcha! *

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  8. Tenho a dizer que adoro este blog e o quão pertinente os assuntos que abordas são, nunca vi um país em que haja tão pouco sentido de comunidade (desde os vizinhos até às minorias), é incrivel como por vezes me sinto mais descriminado pelos meus supostos pares, do que pelo resto da sociedade! Fui um dos organizadores da 1ºa e as seguintes Marchas contra a homofobia de Coimbra, e acreditem meus amigos que em três anos notou-se a diferença e o impacto na cidade, pq o mes do orgulho é mt importante mas o resto do ano tb deve servir para "educar", pq acredito que so atraves da visibilidade (mesmo a que choca a tanta gente) é que conseguiremos a totalidade dos nossos direitos! So a titulo de exemplo, quais são as palavras favoritas da bicha cobarde? Sigilo, descrição e odeio bixas!! ahaaha
    *

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    1. Olá Paulo, obrigado pelo comentário. (:

      Não sei se Portugal será dos piores sítios nestas coisas, mas há, sem dúvida nenhuma, ainda demasiado espaço ainda para se crescer e para percorrermos.

      Parabéns pelo trabalho que tens feito em Coimbra; é exactamente esse o tipo de iniciativas e pensamento que valorizamos e que felizmente nos mostram que nem todos somos bichinhas cobardes ruins. Visibilidade!

      Eu acho que a minha expressão "preferida" de todas é «masculino e discreto». Alegra-me logo o dia. ahah

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  9. Muito bom!
    Obrigado pelo que fazem, é muito preciso. Se queremos apoio e aceitação temos obviamente que começar nós próprios, e estas pessoas não percebem isso...

    Parabéns pelo trabalho

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    1. Obrigado Sérgio. É exactamente isso. Abraço (:

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  10. Olá, fiquei a conhecer este blog através de uma amiga do FB, uma activista inveterada que publicitou a Marcha de hoje no seu mural; gostei do tom irónico-moralista(do meu ponto de vista distanciado e desapaixonado em relação ao assunto em debate) com que o autor desconstruiu as opiniões negativas por parte dos hetero e dos-que-ainda-estão-no-armário, mas gostei bem menos da forma como as vozes discordantes foram "silenciadas", tudo porque
    a melhor forma de todos vivermos em harmonia, seja qual for a orientação sexual de cada um, é sermos TOLERANTES, e pelo que vi nesta "crónica" (e ainda mais nos comentários), o autor é tudo menos tolerante...
    Eu não sou gay (pelo menos até ao momento em que escrevo estas linhas nunca senti atracção por pessoas do mesmo sexo)mas tenho conhecidos meus (não lhes chamaria -AINDA- amigos, pois AMIGOS são aquelas pessoas que nos vão acompanhando para toda a vida e nos ajudam ou amparam sempre que precisamos-e vice versa-, e para alcançar esse estádio, precisamos de tempo para cimentar essa amizade), dizia eu que tenho conhecidos meus que são gays, uns mais "desinibidos/orgulhosos" que outros e pelos quais nutro simpatia e respeito.
    Acho uma enorme prova de coragem alguém assumir a sua orientação sexual, e respeito muito essas pessoas, já não consigo ter esse mesmo respeito (mas não ódio-que é uma palavra e um sentimento muito forte) por aqueles que tendo comportamentos chamados de "desviantes", não o assumem publica e plenamente.
    Não sendo psicólogo ou sociólogo, acho que será de uma violência atroz, que uma pessoa que não tem a orientação sexual "normalizada" pela sociedade, tente fazer da sua vida o mais "normal" possível, casando, tendo filhos, e vivendo uma vida dupla (e o mais secretamente possível) com o(s) seu(s) parceiro(s) do mesmo sexo; para mais vendo dedos apontados aqui e ali, por essa dúvida que vai deixando a pairar no ar.
    Sou adepto do lema "vive e deixa viver" e pouco me importa a vida que cada um leva desde que me deixe viver a minha, e não me inibia nada de um dia dar a cara numa marcha LGBT, para poder dizer a todas as pessoas o quão tolerante sou e o porquê de a amizade e o respeito serem mais fortes que o preconceito que possa inconscientemente existir em cada um de nós...mas para isso teria de ver da parte dos tão orgulhosos activistas LGBT a mesma tolerância para as vozes discordantes sobre alguns aspectos da Marcha do Orgulho Gay, algo que para já não vi por parte do autor desta crónica.
    Sem mais assunto e mais uma vez respeitando as opiniões de todos, mas criticando aquilo de que não gostei (se me for permitido), subscrevo-me...

    Luís Afonso

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  11. Muito bem escrito mesmo! Abordou todos os argumentos contra a marcha que estou habituado a ouvir e fiquei muito contente por alguém já ter pensado em tudo isto. Obrigado por pôr isto em palavras, ainda com um bom bocado de sentido de humor à mistura!

    Miguel Stapleton

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  12. O(s) autor(es) deste blog está(ão) de parabéns! Gostei bastante do que li até agora. Concordo com tudo, excepto com algumas das abordagens feitas. Penso que o tom sarcástico e trocista (que para muitas pessoas é claramente ofensivo) por vezes não será o mais eficaz para o que se pretende. No entanto, estou consciente de que essa homofobia radicalmente interiorizada é um dos grandes entraves na luta por direitos fundamentais LGBT e por uma sociedade melhor. E ao ler as tuas palavras reapercebi-me do quão difícil é combater e corrigir a ignorância, sobretudo quando está tão enraizada nesse egoísmo e nessas ilusões que as pessoas criam para si, impostos pelas construções sociais patriarcais e heteronormativas. Gostava de poder ajudar de alguma forma também. :)

    Pedro Lourenço

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